Aqui vou publicar os meus receios, as minhas angustias, as minhas aventuras neste pequeno planeta...

22
Abr 08
 

Ontem fiquei transtornada!

Triste, revoltada, decepcionada com a vida.

Não somos nada.

O meu tio, irmão da minha mãe está gravemente doente!

O homem que me acolheu aos dois dias de vida, o homeme que ficava comigo quando era pequena, o homem a quem considero um segundo pai…está muito doente.

 De dia para dia o seu estado agrava-se a olhos vistos!

O homem que fintou a morte duas vezes…está derrotado.

Não tem mais força para conseguir erguer-se outra vez.

O homem que à vinte anos fez um transplante de rim, quando ainda estava na fase de experimentação está desiludido com a vida.

O homem que passado poucos anos viu o organismo rejeitar o rim, colocou-se logo na lista de voluntários para um segundo transplante.

Apesar de todos o desaconselharem.

Até os médicos hesitaram!

Mas ele disse:-Doutor…se não for operado, morro. Assim morro a tentar.

E apesar da operação não ter corrido pelo melhor, ele lutou, ele tirou a espada e furou a morte!

Agora ali está ele…não consegue andar, não consegue comer sózinho, treme muito..

Ali está ele a chorar como uma criança…

Ali está ele em casa…dependendo do filho para tomar banho, dependendo da filha para comer.

Terrível!

Não consegue erguer a cabeça e olhar para nós.

A força de outrota deu lugar à derrota.

 Nós bem tentamos animá-lo…mas ele não é parvo.

Fala com os médicos, sabe que não está bem…

Não consegui conter as lágrimas!

A minha mãe que é dura na queda…chorou que nem uma criança!

Afinal já perdeu um irmão…

E o meu Tio Tonecas é o preferido dela.

Sim…ela é airmã mais nova , a menina dos olhos azuis dos três manos.

O Tio Tonecas fazia-lhe tranças nos seus belos cabelos louros, brincava com ela, trazia-lhe rebuçados.

Eram os dois traquinas…

A vida não era o que é hoje.

Estamos a falar da época da ditadura, do pé descalço, dos miúdos que deixavam a escola aos dez anos ou mais cedo.

As meninas( como a minha mãe) iam servir para as casas dos senhores masi ricos.

A minha mãe começou a trabalhar aos dezoito anos…e tem sessenta e quatro.

Começou a trabalhar para os patrões onde hoje ainda está!

Por isso os irmãos eram mais unidos do que hoje.

Nem calculo o sofrimento que ela está a passar.

Nunca a vi chorar daquela forma!

Nunca a vi tão perdida…

Nunca vi o Tio Tonecas tão perdido…

Vamos ver…

A esperança é a última a morrer…mas…

publicado por abadia7 às 23:10
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